Algum tempo atrás, quando estava em Atlanta, Geórgia, para participar de uma conferência, telefonei para casa e conversei com Denalyn e minhas filhas. Jenna, na época com cerca de cinco anos de idade, disse que tinha uma surpresa para mim. Levou o telefone até perto do piano e começou a tocar uma composição desconhecida.
Do ponto de vista musical, a canção deixava muito a desejar. As marteladas de Jenna nas teclas do piano abafavam o som da música. Não havia ritmo. Não havia rima nos versos. As palavras não tinham conteúdo. Tecnicamente a canção era um fracasso.
Mas para mim era uma obra-prima. Por quê? Porque Jenna a compôs especialmente para mim.
Papai, você é maravilhoso.
Sinto muito sua falta
Quando você está longe fico triste e choro.
Volte logo para casa.
Que pai não gostaria dessa canção? Que pai não se sentiria lisonjeado mesmo diante de uma homenagem desafinada?
Alguns de vocês devem estar franzindo as sobrancelhas. "Espere um pouco, Max. Você está dizendo que o método que utilizamos para nos aproximar de Deus é irrelevante? Está dizendo que o importante é o motivo pelo qual nos dirigimos a Deus? Que a maneira como nos aproximamos dele é relativa?"
Não, não é isso o que estou querendo dizer (mas gosto da pergunta). O ideal é que nos aproximemos de Deus com motivo certo e método certo. Ás vezes fazemos isso. Às vezes as palavras de nossa oração são tão bonitas quanto o motivo que existe por trás delas. Às vezes a maneira como cantamos é tão forte quanto a razão pela qual cantamos.
As vezes nosso culto é tão atraente quanto sincero.
Porém, nem sempre é assim. Muitas vezes tropeçamos nas palavras, e nossa música é imperfeita. Muitas vezes nosso culto é inferior ao que pretendíamos. Muitas vezes nossas súplicas pela presença de Deus atraem a atenção tanto quanto as súplicas dos cegos à beira do caminho.
"Senhor, ajuda-me."
E às vezes, mesmo nos dias de hoje, discípulos sinceros nos repreenderão para que nos calemos até aprendermos a agir corretamente.
Jesus não repreendeu os cegos. Deus não disse a Ezequias para cancelar a comemoração. Eu não disse a Jenna para treinar mais um pouco e me telefonar outra vez quando estivesse apta.
Os cegos, Ezequias e Jenna, todos deram o melhor de si — e isso bastou.
"Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração."
Que promessa! E ele a cumpriu com os cegos.
A última cena da história é fascinante. Os dois cegos mal vestidos, mal-cheirosos mas com olhos brilhantes estão caminhando — ou melhor, saltitando — atrás de Jesus na estrada de Jerusalém. Apontando, flores cujo perfume sempre sentiram sem nunca ter podido vê-las. Enxergando o sol cujo calor sempre sentiram sem nunca ter podido vê-lo. Irônico, dentre todas as pessoas na estrada naquele dia, eles eram os únicos com visão perfeita — mesmo antes de poder enxergar.
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LUCADO, Max
Quando os Anjos Silenciaram

Acho que estou sendo o primeiro a comentar! Rs. Gostei muito do texto e do novo espaço, muito bacana mesmo, espero que possamos crescer bastante em conhecimento por aqui. Abraço.
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